O Rio de Janeiro não continua lindo, nem sendo, muito menos merecendo aquele abraço!

Sempre morei no Lins ( praticamente ) e trabalho na Tijuca faz uns dez anos, isto é, transito basicamente entre os dois bairros. Agora que estou "morando" na Tijuca é só aqui mesmo. Hoje fui visitar minha afilhada e fui de metrô. Ela mora em Madureira e a avó dela me ensinou a ir de metrô e ônibus. Peguei o metrô na São Francisco Xavier, Tijuca, passei no Estácio para linha 2, desci no Irajá e peguei um ônibus. Uma odisséia. Eu não sabia que a linha 2 era praticamente toda na superfície. Na viagem, margiamos muitos bairros do suburbio/zona norte. Gente, é muita favela, muita sujeira, muita fachada suja e feia...Como é que pode isso. Uma mangueira(árvore) num quintal aqui, outra num terreno acolá. E trilhares de casinhas de tijolos amontoadas morro acima ou planíce abaixo. Agora eu me/te pergunto, daonde vem tanta gente? Se o governo resolvesse acabar com essas habitações, que por serem afastadas proliferam a violência, aonde alojariam essas pessoas de bem que moram lá? É uma terra abandonada, lixo nas ruas, poluíção visual de placas antigas de candidatos, ônibus sujos, calçadas quebradas...vida sem um pingo de dignidade. E os caras votam aumento pra eles, auxílio moradia, auxílio terno, auxílio o caralho a 4 me perdoem. E as pessoas "sub vivendo", não é possível que durmam tranquilos, ou melhor, é, pois o fazem. Falando no descaso da ex Cidade Maravilhosa, estava vendo uma reportagem que dizia que cresce o número de criminosos que não moram aqui, estamos importando marginais. Sabe aquela história de tentar a vida na cidade grande, tem mais oportunidades...então, Rio de janeiro a cidade com mais oportuninades para bandido! Começo a crer que trocaram o nosso potencial de cidade turística para cidade criminalística. Que horror!

 

 

p.s. Minha afilhada está tudo de bom. Viu minha tatuagem e falou " -  Eu quero fazer tatuagem dinda!", além de outras milhões de gracinhas, isso só com dois aninhos...mas me dá uma vontade de chorar quando vou embora e me despeço dela.

Maria Elysa, Maycow e Mychelle ( Afilhada, Filha, Pai, Irmão, Irmã e Dinda)

Indian Program Sunday Tabajara

Nesse domingo umas alunas me convidaram para acompanhá-las no Arraiá do Jokey/Roça in Rio/ da Providência. Chegando lá na fila do caixa todas compraram de estudante, o senhor no caixa até me perguntou no que eu respondi que infelizmente não, eu não era uma estudante. Na roleta da entrada ninguém pediu carteirinha, isto é, quem é honesto não ganha nada, só perde, R$10,00 , a entrada era 20 pilas minha gente

Entramos e depois de uma volta de reconhecimento decidimos comer. Fomos até o caixa para trocar nossos reais por "caipiras", o dinheiro de lá. Só coisa cara minha gente! Uma itaipava R$ 3,50, qualquer comida típica no mínimo 3 pilas  Comi um feijão amigo (nem é típico, mas eu amo) e depois uma maçã do amor...sabe como é esperava o ano todo para festas juninas só pelas guloseimas, mas agora tem várias coisas que consigamos comer o ano todo nas esquinas do Rio.

Nessa hora da comida fomos eu e Beth,  a Gabi, sua amiga e Carol estavam rodando. Elas ligaram e estavam no bingo...Agora veja só, saio com minhas alunas mais novas e elas me levam a um programa mais velho

Nós no bingo. Chegamos lá e a rodada era R$ 5,00, valendo uma bolsa de oncinha ou uma churrasqueira, na outra rodada um brinco de ouro que seria lindo sem um penduricalho preto e mais uma que valia uma faca elétrica ou um liquidificador suuuuuper silencioso. Nisso entra a mãe do Dado, sabe a Pepita Rodrigues, então ela se põe a cantar as pedras...mas se enrola toda, numa empolgação adolescente. Era assim, podia fazer linha ou coluna na palavra BINGO. Aí ela: B 3, G 64, Zero 70...ZERO!!! Era O, letra ó...rsrsrsrs Pra completar a chega atriz RosaMaria Murtinho e a "Socialitie" Gisela Amaral ( nome de rico Gisela, né). A dupla Pepita e Rosa se enrola e se empolga junta. Tinha uma mesa ao lado só de Dono, sabe dono de tudo, Concessionária, Cavalos...tinha um garoto muito mala, que toda hora cantava errado, muitas vezes ganhava e ainda tava mijado  A gente ria...Aí deram umas palavras cruzadas e ficamos competindo, vendo que acabava mais rápido a página. Menina, tava cheio de Maga Patalógica nas mesas, pareciam gêmeas, todas com olhos levemente puxados, maçãs do rosto proeminentes e boquinha de pata(inclusive as supracitadas)... Estávamos fazendo as palavras cruzadas esperando o bingo da TV 33", dez pilas a cartela. Ganhamos ZERO. Tudo para ajudar as criancinhas

Voltamos para a pista. Dado Dollabela sempre "carismático e brilhante" apresentava os ganhadores da Gincana do Bem junto a Lavínia Vlassak, tão gracinha, tão sem sal, tentando ser animada. Depois começou o show do Trio Potiguá, aí lá vou eu me revezar de cavalheiro com minhas amadas alunas. O chão tava brabo, eu de salto como sempre tive que tirar para não quebrar o pé, era tipo pedra portuguesa revestida de um tecido, mas faltavam, várias pedras. Encontrei uma ex aluna e um colega da quinta série. Só falei com ela. Aí o celular tocou e a Gabi veio avisar que "papai tinha ligado a Carol tem aula cedo"...Carol tem 12 anos, e lá fomos nós em caravana para casa!

Lele, My, Nande, Gui e Jana

 

Dia 16 foi o Novo Baile dos 6 e será todo Segundo Sábado do mês!!!

Dever comprido cumprido!

E o V Salão Rio Dança terminou e já estou com saudades. Foi bem cansativo, mas muito prazeiroso. Este foi o segundo ano que atuei como sócia na produção deste evento. É muito mágico você conviver esses dias com pessoas de diversos estados e até países diferentes. Vários sotaques, várias experiências e um só objetivo: a Dança a dois. Todos os dias eu acordava as sete, chegava lá, arrumava os materiais, recebia os alunos, arrumava as turmas, recebia os professores, confirmava se estava tudo caminhando bem e a noite ainda tinha os bailes!

Os pés moídos... Nesta edição houve uma coisa diferente, foi a primeira vez que dei aulas nele sozinha. Do I ao III, dei aulas de forró com um parceiro, no quarto só fiquei na produção e neste dei aulas de forroda no iniciante e no avançado. Fiquei muito feliz com a resposta dos alunos (muitos professores de outros estados) eles ficaram admirados com minha aula pois como sempre, não me limitei a dar passos, e nem estou falando em ter dado postura, musicalidade...e sim ter parado a aula algumas vezes para falar de relacionamento, do aluno com o colega, do bolsista com o aluno e do professor com os dois, no quanto isso reflete o que cada um é fora da sala de aula e no andamento das aulas. Falei sobre a manutenção das turmas e a fidelização dos alunos....

Foram dias inesquecíveis. Hoje fomos Eu, eu mesma e Irene jantar para comemorarmos, quer dizer, a Irene num foi não, foram só eu e eu mesma rsrsrrsrsrsrs

04/06/2007 - 18h45

Sucesso do filme 'Dirty Dancing' dura 20 anos

Longa que chegou aos cinemas em 1987 inspira looks e lança moda até hoje
Catalina Arica Do EGO, no Rio
 
Foto: Reprodução
A cena mais clássica de 'Dirty Dancing', de 1987

Quem nunca ouviu "I've Had the Time of My Life" e se imaginou dançando ao lado de Patrick Swayze? Ora, vamos, confesse.

 Não tem jeito. Se você nasceu até a década de 80 ou tem um mínimo de curiosidade pela cultura pop, não só sabe cantar de cor a música de Bill Medley e Jennifer Warnes como provavelmente já assistiu nem que seja a cena final de "Dirty Dancing - Ritmo Quente" (1987) pelo menos uma vez na "Sessão da Tarde".

  INFLUÊNCIA ATÉ HOJE

Este ano, o filme completa 20 anos de lançamento e o sucesso continua. Ou você acha que o quadro "Dança dos Famosos", do "Domingão do Faustão", não se inspirou nem um pouquinho no longa?

Isso sem falar do reality show de dança chamado "Dirty Dancing" (também), exibido na TV americana, em que os competidores ganhavam vagas para fazer o musical - sim, porque o filme inspirou um musical à la Broadway, claro, em Londres.

Além disso, a cultura pop está fazendo a festa nesta data redonda. Não param de pipocar pelas lojas bacanas camisetas e looks que relembrem o filme. A própria revista de celebridades americana "People" já até deu destaque para alguns.

 CULTURA POP

Enquanto a mulherada sonhava em ter o corpo bem torneado do bonitão - que foi elevado à categoria de símbolo sexual - ao lado em uma pista de dança, a maioria dos homens viu seu conhecimento de movimentos ritmados cair bem abaixo do padrão depois que o personagem de Swayze, Johnny Castle, começou a ensinar os passos do cha-cha-cha.

E o que dizer da engajadíssima Baby, que era a aluna preferida do professor de dança da colônia de férias Kellerman Camp?

Descolada, cheia de personalidade e às vezes até impertinente, Baby é meio que obrigada a passar seu último verão de férias junto à família - no ano seguinte ela já estaria na faculdade - e vive o "melhor momento de sua vida".

Foto: Reprodução

O romance de Johnny e Baby conquistou o mundo

No longa de baixo orçamento a história é batida. Menina rica se apaixona por professor jovem pobre. Pronto. Quer coisa mais café-com-leite?

Mas o filme conquistou as massas - e surpreendeu os produtores - por contar o romance água-com-açúcar de maneira mais musical e com cenas "calientes" para entreter os amantes da dança e o público adolescente.

Baby conhece o professor de dança Johnny e se apaixona pela maneira como ele dança e leva sua vida livremente, sem as pressões de ser a versão masculina do que ela é: filhinha do papai.

Foto: Reprodução

Clássico: o cartaz do filme

Durante o filme, o romance dos dois esquenta quando Baby precisa substiruir uma bailarina profissional em uma apresentação. Ela tem que dançar com Johnny, com quem mantém uma relação complicada, afinal, ele acha que ela é uma garotinha rica e mimada que acha que pode mudar o mundo.

É durante os treinos para a apresentação que Baby - que não tem ritmo nenhum - e Johnny começam a se conhecer mais de perto e acabam se apaixonando.

 ESTILO DIRTY

Por Helen Pomposelli

As academias ficaram repletas de muitas inspirações no filme. Não só através dos cabelos cacheados da atriz principal, como nas saias dançantes da época.

Foi uma total releitura da década de 50, com direito a muitos vestidos, salto alto e balanço no corpo. Um ar meio nostálgico tomou conta, meio tempos da brilhantina. Era fácil avistar uma mulher procurando imitar o filme em busca de romance.

Para quem quiser fazer uma releitura desse estilo, seguem algumas dicas:


Foto: Reprodução
Inspire-se e prepare seu look de dança

* Vestidos estão em todas as vitrines atualmente. Escolha um que possa valorizar seu corpo, estilo corpete, e com a saia esvoaçante.

* Detalhe: para marcar a cintura, que tal um cinto de lurex colorido em cima do vestido escolhido?

* Saltos, nem tão altos. As sandálias e scarpins estão de volta. Mas conforto na hora da dança é importante, portanto, escolha um bem colorido e com salto médio.

* Madeixas: chega de chapinha, deixe os cachos de fora e arrase.

* O romance está no ar: se você não tem parceiro para a dança, não se desespere. Entre numa academia e aprenda todos os estilos, principalmente a salsa!

 

*** Tá, de 9 em 10 meninas que trabalham ou trabalharam com dança a dois se inpiraram neste clássico, óbviamente as que tem mais de 20 anos, ou não né, Sessão da Tarde taí pra isso. Eu mesma lembro que exatamente um ano antes de começar meu trabalho com dança ao ver o filme pensei: "- Poxa, que pena não ter começado cedo a dançar, agora só na próxima vida..." E hoje tenho total certeza e segurança da minha vocação e competência em dar aulas. Afinal, com dedicação e disposição para aprender e continuar aprendendo se chega longe!!!*** Mychelle

Obrigada Paty, depois põe o link deste blog nos comentários, esqueci de copiar. Há um tempo atrás falei sobre esta tortura, mas por falta de paciência não a dissequei tão bem. Este texto exprime fielmente o que passei. Obrigada estranha.

"Tenta sim. Vai ficar lindo."

         Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me
      render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos
      mais leve. Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que
      meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu
      imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso
      aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás
      nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
         - Oi, queria marcar depilação com a Penélope.

         - Vai depilar o quê?
         - Virilha.
         - Normal ou cavada?
         Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que
      era pra fazer, quis fazer direito.
         - Cavada mesmo.
         - Amanhã, às... deixa eu ver...13h?
         - Ok. Marcado.


         Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves,
      porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim,
      pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim
      que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.
      Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o
      local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo
      entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias
      cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
      Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga
      ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso
      cantinho: uma maca, cercada de cortinas. 
         - Querida, pode deitar.

         Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na
      maca. Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de
      frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi
      coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma
      pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um
      barbante na mão. Fingi que era natural sabia o que ela faria com
      aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou cordinha pelas laterais
      da calcinha e a amarrou bem forte.

         - Quer bem cavada?
         - ...é... é, isso.
         Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da
      Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
          - Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer
      mais ainda.
         - Ah, sim, claro.
         Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas
      confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma esp
      átula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
         - Pode abrir as pernas.
         - Assim?
         - Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois
      joga cada perna pra um lado.

         - Arreganhada, né?
         Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de
      cera quente em minha virilha virgem. Gostoso, quentinho, agradável.
      Até a hora de puxar.

         Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse
      saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive
      coragem de olhar. Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até
      procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de
      ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha
      expressão, para fingir que era tudo supernatural. Penélope perguntou
      se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de
      respirar. Tinha medo de que doesse mais.
         - Tudo ótimo. E você?
         Ela riu de novo como quem pensa "que garota estranha". Mas deve
      ter aprendido a ser simpática para manter clientes.

         O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de
      espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação
      e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer
      sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.

         - Quer que tire dos lábios?
         - Não, eu quero só virilha, bigode não.
         - Não, querida, os lábios dela aqui ó.
         Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que
      idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
         - Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
         Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o
      cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
         - Olha, tá ficando linda essa depilação.
         - Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.

         Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a
      respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi
      que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só
      voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
         - Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
         - Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
         Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe
      arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.
      Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.

         - Vamos ficar de lado agora?
         - Hein?
         - Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
         Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e
      fiquei esperando novas ordens.
         - Segura sua bunda aqui?
         - Hein?
          - Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
         Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela
      estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à
      luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar,
      gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei
      pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido
      perguntaria:
         - Tudo bem, Pê?
         - Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.

         Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o
      aconchego falso da cera quente besuntando meu tuin peaks. Não sabia
      se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei
      que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha
      situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí
      me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de
      desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse
      ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse
      ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história
      mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais,
      xingamentos, preces, tudo junto.

         - Vira agora do outro lado.
         Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei
      novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado
      novamente abre cortina.
         - Penélope, empresta um chumaço de algodão?
         Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor
      demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me
      depilando pra quem? Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele
      jeito. Só mesmo Penélope. E agora, a vizinha inconveniente.

         - Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
         - Máquina de quê?!
         - Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
         - Dói?
         - Dói nada.
         - Tá, passa essa merda...
         - Baixa a calcinha, por favor.
         Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como
      alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi
      substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu.
      O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até
      bem agradável.
         - Prontinha. Posso passar um talco?
         - Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
         - Tá linda! Pode namorar muito agora.


         Namorar?! Namorar?! Eu estava com sede de vingança. Admito que o
      resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
      Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda,
      protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei
      antidepilação cavada. Queria comprar o domínio www.preservemasxerecaspeludas.com.br

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